Fitas e magnólias - ode cinéfila

  • Home
  • Fitas e magnólias - ode cinéfila

Fitas e magnólias - ode cinéfila Crítica cinematográfica

ALL OF US, STRANGERS!(Quem me leva os meus fantasmas?)Somos mesmo desconhecidos para nós próprios? Os nossos amados pais...
31/05/2026

ALL OF US, STRANGERS!
(Quem me leva os meus fantasmas?)

Somos mesmo desconhecidos para nós próprios?
Os nossos amados pais são mesmo memórias vivas que nunca nos deixam?
Os nosso desejos mais íntimos chegam alguma vez a trepar paredes e a figurar como néons das avenidas altas?
Vemos gente morta.
Que nunca nos larga.
Sentimos o que não era suposto sentir.
Valerá tudo isto a pena?
Ao som de «Frankie goes to Hollywood», não é nada mais nada menos que o poder do amor.
Daquele que aquece.
Daquele que chamusca.
Daquela que inebria.
Daquele que...
Fabuloso OPUS o que vi hoje na Disney+, baseado livremente na obra suprema de Taichi Yamada.
Ao som de Alison Moyet e de muitas das minhas boas recordações dos 80.
Com dois actores gigantes.
Paul Mescal não tem, neste momento,
comparação com nenhum actor da sua idade.
E Andrew Scott vulnerável como a rocha do vulcão de Lanzarote.
Querer paz com os nossos fantasmas e uma vida decididamente menos assombrada nada tem a ver com ser marginal ou ser gay.
Tem a ver com ser HUMANO.
E isso me basta!
Imperdível...

PELA METADEConseguiremos ver-nos ligado a alguém, para o bem ou para o mal, de tal forma que a nossa inteira vida é cond...
17/05/2026

PELA METADE
Conseguiremos ver-nos ligado a alguém, para o bem ou para o mal, de tal forma que a nossa inteira vida é condicionado pelo amor ou ódio que lhe temos?
Podemos.
Tentamos.
Mas não conseguimos.
Como na canção dos Radiohead.
Ninguém f**a à porta da vida - entra!
E, talvez por isso, dói mais.
Não são irmãos de sangue.
Irmanou-os a vida numa confluência desastrada de parentescos imprevistos, imprevisíveis.
São os irmãos que ambos nunca tiveram mas que desejaram, com a fealdade de uma obsessão vital.
Um foi a morte do outro.
O outro foi a vida de um deles.
O mundo de um parou por causa do outro.
Como se não fossem estranhos um ao outro, como se não fossem afinal recíprocos espelhos e reflexos...
Sabe lá a vida o que faz quando um olhou para o outro e o sentiu.
Com as suas perfeitas imperfeições.
Com a raiva de um que lhe crescia nos dedos na direcção da doçura do outro.
Amam-se?
Odeiam-se?
Talvez a meio de tudo isso.
A caminho da jornada que escolheram fazer.
Perto ou longe do fim?
Se não pudermos obter um novo começo, podemos começar agora e fazer um novo fim.
Iremos a tempo de o criar?
As anémonas e as borboletas dizem que sim.
E quem sou eu para as contrariar?
*
EMPOLGANTE a série que estou a seguir, semanalmente, na HBO MAX.
HALF MAN.
Com gigantescos Richard Gadd (o ideólogo de Baby Raindeer) e Jamie Bell, o Billy Elliot da minha vida.
O MELHOR que vi este ano.
O episódio 4 corresponde ao episódio 3 de ADOLESCÊNCIA.
Impossível fazer-se melhor.
E ansiando por mais dois que ultimarão esta pérola.
Vale a pena VIVER para ver isto.
Boa noite.

Porque é que me mentes?Há um par de anos, escrevi aqui sobre um filme sublime.Um filme que Visconti não rejeitaria reali...
11/04/2026

Porque é que me mentes?

Há um par de anos, escrevi aqui sobre um filme sublime.
Um filme que Visconti não rejeitaria realizar.
«Chama-me pelo teu nome».
Onde se respirava uma história de amor entre Elio e Oliver.
Voltei a pensar nele quando ontem - em duas viagens de comboio - li «Deixa-te de mentiras», de Philippe Besson.
De um fumo aceso e vácuo que atravessou as vidas de Thomas e Philippe.
Numa escrita de água pura, como se não houvesse ditongos ou sílabas a mais.
*
Do filme de Guadagnino ficou-me uma impressão, uma aguarela.
Sobre ele - e temo tanto a sequela que se anuncia pois há pérolas que não precisam de ser reinventadas - escrevi:
«Dizer que se trata de um "drama gay" é reduzir o filme a um tamanho injusto.
Ao mesmo tempo em que ambos os personagens estabelecem, com sinceridade, uma relação própria, nada impede que eles dêem vazão a outras experiências, sobretudo no caso de Élio, que descobre o mundo e a sua própria sexualidade.
E a beleza é o apelido desta obra a cheirar por todos os lados ao melhor Visconti.
Descritivo, cheiroso, lento como os sentimentos, e rápido como as paixões.
O propósito de Call Me By Your Name (no original) é retratar uma história de amadurecimento. É como se o "conflito" descansasse na sombra, à espera de uma mudança natural na posição do sol. E o que é revelado, no fim, é uma opção narrativa elegante e, acima de tudo, madura.
Nesse ambiente, a sexualidade não é uma questão. Interessa mais ao realizador Luca Guadagnino a exploração do desejo a partir de uma história pontual, do que o estudo moral de um grupo social.
É assim que ele evita o julgamento. E até as possíveis censuras morais por estarmos a ver um adulto a estabelecer um contacto íntimo com um menor de idade (17 anos)…
E que estranho título este que dão ao amor...
O nome deles.
Que se misturam em catadupa solar, como se soubesse ao suor alheiro o nosso próprio sal.
Primeiro, um chamar o outro pelo seu nome é algo que só eles sabem, é algo que tem um signif**ado especial apenas para eles.
Depois que, convenhamos, ninguém nos conhece – ou isso deveria ser sempre assim – melhor do que nós mesmos.
Então alguém viver uma relação com alguém ao ponto de chamar essa outra pessoa pelo seu nome, porque a conhece com toda essa profundidade, com toda essa intimidade… realmente é algo único.
Tem um pouco de Morte em Veneza,
Sem Brahms.
Mas com muito piano forte.
A sedução entre dois seres humanos (e que espectacular interpretação do jovem Timothée Chalamet!) é filmada com pinças, sem pressa.
Sentimos o calor, o refresco de pêssego, a tua mão que se aperta…
A água da fonte.
O suco do alperce.
E percebemos que, em certas ocasiões, falar ou morrer são as opções de uma vida.
Essa viagem de revelações mútuas culmina num monólogo final interpretado por Michael Stuhlbarg, um monstro do teatro, que entra na pele do pai de Élio.
Neste monólogo, Mr. Perlman diz ao filho que sabe que se passou algo entre ele e o académico mais velho; ao invés de o questionar, sublima-o. Porque ser consumido por uma paixão é algo mágico, que nem todos têm a oportunidade de viver.
«Amor é amor é amor é amor», disse Michael.
«Temos sorte de estar vivos. E sorte de nos termos uns aos outros, de viver as coisas de forma profunda quando podemos. Tive a oportunidade de interpretar um homem que ama o filho e está presente para ele, que ouve, tem compaixão».
E aqui se resolvem mil preconceitos que temos alojados no nosso jarrão da entrada.
Resolvemos, naquele momento, revisitar todas estas ideias e preconceitos sobre o que está certo e errado nas relações dos outros. Mas tal não impede uma conversa sobre o que é consentimento, poder e desigualdade numa relação entre um adulto e alguém que está à beira da idade que a sociedade considera adulta - ainda que em Itália, nos anos oitenta (a acção ocorre em 1983), a idade do consentimento fosse 14 anos.
Vale SENTIR.
E isso basta ao amor?»
*
Da escrita de Besson, f**a-me um travo amargo a um doce de pêssego acabado de fazer.
Um encontro juvenil e martirizado pela clandestinidade.
Uma história de renúncias e deserções.
E de tardias reconciliações com a verdadeira natureza de cada um.
Sobre este registo autobiográfico, escreveu Besson:
«Mesmo inventando as histórias, escreve-se com o que se é, com o que se viveu. E muitos dos meus livros falam de vidas que foram vencidas. Nenhum escritor escreve apenas em função de uma abstração. Isso é impossível.
(...)
Não se trata de um romance no sentido estrito do termo, porque a historia é verdadeira.
Mas este livro também não é um testemunho, nem procurei que assim fosse.
O que me interessou com esta história de Thomas e Philippe foi tentar fazer dela uma história universal.
A minha esperança é a de que o leitor, independentemente da sua inclinação sexual, encontre eco da sua própria história. Basicamente, todas as histórias de amor complicadas são universais».
*
Duas obras que se cruzam.
Em histórias que podiam ter sido escritas pela mesma pessoa, pelo mesmo poeta.
Quase como Bunuel.
Ou um qualquer Debussy...

O PODER DO CÃOCru.Exangue.Ensanguentado e poeirento como a vida. Aquela de que se foge mas que nunca foge de nós.Mistura...
03/04/2026

O PODER DO CÃO

Cru.
Exangue.
Ensanguentado e poeirento como a vida.
Aquela de que se foge mas que nunca foge de nós.
Misturando géneros e estereotipos como o do velho cowboy «macho» ou o da saga de Abel e Caim.
Phil olha para as montanhas como se visse silhuetas de cães raivosos.
Mais ninguém os vê.
Talvez só Bronco Henry.
Que ficou para trás da sua memória e do seu corpo de varão.
Rose desafia a tempestade e casa-se com o infortúnio ao lado de um homem dócil.
E um menino rapaz a caminho da adultícia confessa o indecifrável na primeira fase que abre o filme:
«Quando meu pai faleceu, eu só queria a felicidade da minha mãe. Que tipo de homem eu seria se não ajudasse minha mãe?»
Afinal, o ataque dos cães é inevitável.
Como se a ternura que o cowboy sá**co sentia pelo seu amor de ontem fosse o rastilho para a fúria dos inocentes.
(...)
Cru.
Como se fosse veludo ao nosso olhar.
A mesma realizadora de O PIANO, Jane Campion constrói uma obra gigante - cheia de lezírias e trigo loiro - que vai levar o 1º Oscar para as mãos enormes e acres de Benedict Cumberbatch (entre ele e Andrew Garfiled, mon coeur balance!).
Como se fosse em Montana.
Mas afinal é na Nova Zelândia, o país mais ao contrário do nosso. Tanto, mas tanto a lembrar um Paul Thomas Anderson, o mais dos magnólicos poetas da imagem.
Mora este filme na Netflix.
E iluminou hoje a minha noite.
Cheia de sombras e de poeira.
De suor pagão e presságios bíblicos.
Não choveram sapos.
Mas ladraram cães.
Aqueles que só Phil vê.

UMA MENINA SILENCIOSAQuando bateram as melhores horas no coração de Carlota e Frederico, já Laura se encontrava a dormir...
29/03/2026

UMA MENINA SILENCIOSA

Quando bateram as melhores horas no coração de Carlota e Frederico, já Laura se encontrava a dormir na cama que juntos construíram no lugar das placentas e dos cordões umbilicais.
E foi nessa altura que Peter Pan tocou nos olhos de Laura e a levou até à Terra da Alice e do Pequeno Polegar, semeando tempestades de amanhecer na sua ainda pequena vida.
Laura já sabe hoje que as horas são uma só e cada dia é o mesmo.
Termina o seu dia a dobrar a roupa da vida, peça por peça, como o fazia nos tempos do desassossego.
Estende-nos sempre a sua mão ferida para que a apertemos, escondendo lá dentro mil abraços que distribui como se só tivesse tido muitos.
Pensa erradamente que o comboio do seu sonho partiu do cais da última esperança em busca de um sono que afinal nunca chegou a chegar.
Faz de tudo para arredondar o sorriso do mundo, mesmo que não tenha grandes razões para sorrir.
Sabe como bater de frente com a verdade.
Aquela sua verdade de hoje que não abdica do muito que ela foi ontem.
Acredita, como dizem os poetas mais francos, que através do olhar qualquer pensamento pode matar.
Sossega-se nos murmúrios que são aos milhares e que atropelam o sentido estrito das palavras, das suas palavras.
Acaricia o frio do anil da manhã e o imponderado cinzento das noites que continua a venerar.
Vive numa doce prisão cortejada pelos caprichos do seu corpo e alma poetas.
Pensa que não percebe de que lado está o futuro.
Mas adivinha-lhe o rosto e as rugas.
Sabe que lhe escorre tinta pelos dedos naquela dança frenética e sôfrega pelas texturas da vida.
Sabe que a palavra, a sua palavra, é mais papel que vida.
Mas encontra nela um projéctil que atravessa os outros despojados como ela, perdidos num ontem de arame farpado, hoje cosido em odes e sonatas de esperanto e bem dizer.
Acredita que na verdade se escreve sempre a fantasia e que a fantasia tem sempre uns pós de verdade.
Vive as manhãs de Inverno como se estivessem perdidas no meio das primaveras que, rasgadas, voltam sempre inteiras.
Sabe, de suor sabido, que já ninguém corta um dedo a repor passados e angústias e olha os dias, esses dias, como se fossem as noites que pariu no tempo das cerejas mal tragadas no telhado da casa da avó.
E sabe, afinal, que um dia, autora confessa dos seus próprios escritos, haverá de escrever um conto – este - que falará da sua vida, das suas estrelas e da sua Úrsula.
Para lhe dar um sentido.
Não é para isso que servem as estrelas?
Para dar sentido à noite?

(PG) - ao ver The Quiet Girl

23/03/2026

Amor é... uma criança ter a quem escrever uma carta, mesmo não sendo a um Pai.

ALL OF US, STRANGERS!(Quem me leva os meus fantasmas?)Somos mesmo desconhecidos para nós próprios? Os nossos amados pais...
22/03/2026

ALL OF US, STRANGERS!
(Quem me leva os meus fantasmas?)

Somos mesmo desconhecidos para nós próprios?
Os nossos amados pais são mesmo memórias vivas que nunca nos deixam?
Os nosso desejos mais íntimos chegam alguma vez a trepar paredes e a figurar como néons das avenidas altas?
Vemos gente morta.
Que nunca nos larga.
Sentimos o que não era suposto sentir.
Valerá tudo isto a pena?
Ao som de «Frankie goes to Hollywood», não é nada mais nada menos que o poder do amor.
Daquele que aquece.
Daquele que chamusca.
Daquela que inebria.
Daquele que...

Fabuloso OPUS o que vi hoje na Disney+, baseado livremente na obra suprema de Taichi Yamada.
Ao som de Alison Moyet e de muitas das minhas boas recordações dos 80.
Com dois actores gigantes.
Paul Mescal não tem, neste momento,
comparação com nenhum actor da sua idade.
E Andrew Scott vulnerável como a rocha do vulcão de Lanzarote.

Querer paz com os nossos fantasmas e uma vida decididamente menos assombrada nada tem a ver com ser marginal ou ser gay.
Tem a ver com ser HUMANO.
E isso me basta!

Imperdível...

ODE A LAWRENCE E A NORMA RAE(Bruscamente no verão passado)Morreu em Veneza.Ao som de Mahler.Numa insustentável leveza de...
21/03/2026

ODE A LAWRENCE E A NORMA RAE
(Bruscamente no verão passado)

Morreu em Veneza.
Ao som de Mahler.
Numa insustentável leveza de ser,
antes da fuga, sentiu que Moscovo não acreditava em lágrimas.
Despediu-se de Lili Marleen, do porteiro da noite e dos lírios do campo,
Sorriu para Casablanca, escondeu o sorriso de Mona Lisa
E vestiu-se para matar.
Foi Glória por um dia, Jane Eyre ou Monica Vitti,
Apagou a Eva que pairava em si e reuniu-se com os amigos de Alex, à hora em que Scarlett tomava chá com Mussolini.
A oeste nada de novo,
os sinos tocaram duas vezes,
o comboio apitou três vezes.
E Ada, ligada ao seu piano,
Tocou a última serenata à chuva,
perto do cais onde havia lodo,
longe da Condessa de Hong Kong e do ogre chamado Shrek.
Foi rainha, criada de quarto, a rapariga dinamarquesa, a bruxa de Avalon, a Mary Poppins, a praga e a cólera, Babel e all that jazz.
Sabia que seria em Veneza a vez derradeira.
Colheu magnólias, musgos e borboletas
Perguntou por Hedda Gabler e pela casa das bonecas.
Esperou por Godot e pelo grande ditador,
Comeu o inferno em vida, em Saigão ou em Banguecoque.
Foi princesa de Salinas, Xerezhade e Maria Antonieta
Vivendo na rosa púrpura do Cairo,
Num crepúsculo dos deuses acima do sétimo céu.
Era uma vez na América.
Ou em Abu Dhabi.
Kubrick desligou a câmara e Fellini murmurou que tudo aquilo mais parecia um ninho de cucos.
Ao som de Johnny Guitar.
E foi então que ela morreu sobre a ponte dos suspiros, à hora em que De Niro encontrou os olhos de Meryl e lhe disse com a voz dos vivos:
- there's no business like show business!
Nesse instante, Spielberg gritou:
CORTA!
e o mundo acordou em paz
no segundo em que Alice encontrou o Coelho branco nos olhos do Johnny Depp.
- Quem és tu?
- Quem tu quiseres.
E as luzes da sala acenderam-se.
Para sempre.

17/03/2026

Address

Coimbra

3000-000

Website

Alerts

Be the first to know and let us send you an email when Fitas e magnólias - ode cinéfila posts news and promotions. Your email address will not be used for any other purpose, and you can unsubscribe at any time.

Shortcuts

  • Want your business to be the top-listed Cinema?

Share