16/11/2025
Frankenstein • 2025 • Guillermo del Toro
Trazendo uma versão ainda mais sombria e poderosa de Frankenstein, Guillermo del Toro nos conduz por uma jornada arrebatadora que emociona do início ao fim de seu novo filme.
Quando o Dr. Frankenstein dá vida a uma criatura feita de fragmentos humanos, nasce uma jornada trágica entre criador e criação — marcada por solidão, rejeição e a busca desesperada por humanidade.
Um drama gótico poderoso sobre o preço de brincar de Deus. Visualmente grandioso, emocionalmente devastador.
Não há dúvidas de que o elenco de Frankenstein entregaria um trabalho impecável. Oscar Isaac traz um Victor Frankenstein tão obcecado por alcançar seu grande feito que acaba perdendo a própria humanidade. Em contrapartida, sua criação — por mais repugnante que seja a forma como veio ao mundo — é retratada com tanta ingenuidade que o olhar dado por Jacob Elordi ao personagem nos enche de empatia. Em pouco tempo, esquecemos qualquer deformidade e enxergamos apenas sua vulnerabilidade.
Essa sensibilidade também é percebida pela doce e curiosa Elizabeth, que, após poucos segundos de conversa com a criatura, se encanta pela maneira pura e sensível com que ele observa o mundo — algo que Victor jamais conseguiu. E, ao tentar eliminar aquilo que criou, Victor acaba se tornando o ser mais repugnante e odioso de toda a história.
Aqui entra minha única ressalva ao filme: dois momentos do final quebram a imersão. Depois de um roteiro tão rico nos dois primeiros atos, sem recorrer ao óbvio, o desfecho acaba trazendo um diálogo preguiçoso e um final… meio blé.
Mas, tirando isso, o filme é incrível — melancólico e visualmente deslumbrante, como já é marca registrada de Guillermo del Toro.