25/04/2024
Ainda muito emocionado por assistir a cerimônia de formatura do meu neto mais velho, o Francisco, agora bacharel em ciências e letras pelo tradicional e cada vez mais importante Colégio Pedro II, realizada no imenso e belo auditório teatro da UERJ, fico me perguntando como será o amanhã daqueles mais de trezentos jovens que completavam uma das mais encantadas etapas de suas vidas.
No momento em que a maioria das universidades do país está em greve com seus estudantes, professores e funcionários reivindicando melhores condições para a manutenção das suas portas abertas, para poderem dar continuidade às suas missões,
sinto uma tristeza profunda. O Brasil necessita de uma verdadeira revolução educacional, com as suas salas de aulas preparadas para atender às demandas impostas pela modernidade e enfrentar todas as adversidades que estão se apresentando no horizonte sombrio dominado pelas mudanças climáticas.
Confesso que cada discurso dos alunos, dos professores e dos funcionários homenageados, tocava no meus neurônios com forças de raios, que me inquietavam em busca de sensações mais otimistas diante dos sorrisos, das alegrias, dos sonhos despejados sem medos durante a cerimônia de mais de três horas de duração.
Fiquei sabendo de muitos detalhes da história desse patrimônio nacional.
O Colégio Pedro II foi fundado em 2 de dezembro de 1837, sendo assim batizado em homenagem ao Imperador-menino, no dia de seu aniversário.
Sua primeira unidade foi instalada no Centro da cidade do Rio de Janeiro, e funciona até os dias de hoje.
Até a década de 50, era designado “Colégio Padrão do Brasil”, visto que seu programa de ensino servia como modelo de educação de qualidade para os colégios da rede privada, que solicitavam ao Ministério da Educação o reconhecimento de seus certificados justificando a semelhança de seus currículos aos do Colégio Pedro II.
Contando com corpo docente de extrema qualidade, integrado por professores renomados, como o Barão do Rio Branco, Euclides da Cunha, Manuel Bandeira e Aurélio Buarque de Holanda, o colégio viu-se obrigado a aumentar a oferta de vagas devido ao grande número de inscritos para seus concursos de acesso.
São cento e oitenta e sete anos de excelência em educação. A tradição ampara o Colégio Pedro II que, ao procurar a modernização estrutural, acompanhou as novas tendências pedagógicas e terminou o século XX recebendo o Prêmio Qualidade do Governo Federal, em 1998, por seu projeto de Qualidade Total na área de educação.
O Colégio Pedro II, em consonância com as diretrizes educacionais inclusivas do MEC, atendeu às necessidades da população da Cidade do Rio de Janeiro, voltando-se para a comunidade da zona oeste, o que propiciou a intercomplementaridade dos sistemas Municipal e Federal de ensino, possibilitando o acesso de muitos jovens de outras regiões da cidade a aos seus tradicionais e disputados bancos escolares.
E agora, Francisco? E agora Júlia? E agora João? E agora Maria? Vocês receberam um diploma de conclusão que pode ser ostentado como um troféu; que pode ser emoldurado e colocado na parede. Muitos de vocês já estão enfrentando os vestibulares, os Enems da vida para entrar numa Universidade. Todos vocês vão precisar de muito estímulo para que seus estudos e pesquisas possam ser valorizados e respeitados pela sociedade. Todos nós juntos, pais, mães, avôs, avós, parentes de diversas classes sociais que acompanhamos o ritual de passagem de vocês para a nova era que se impõe, temos que ter em mente o que uma das jovens disse: "Nós, seres humanos, nascemos para ser felizes". E outro: "Queremos viver num mundo em que as liberdades sejam plenas e a democracia possa dar a certeza de que resolveremos tudo em paz." E mais um: "Sabemos que estamos vivendo num momento de muitas perguntas sem respostas, como por exemplo como vamos conseguir sobreviver diante das forças da natureza em mutações preocupantes?
Só com muitos estudos e pesquisas, com muita dedicação ao que a ciência nos ensina é que poderemos decifrar os enigmas que colocam a humanidade em estado de alerta máximo. Noilton Nunes