27/04/2024
POVO DE PINDORAMA
Nessa Terra Santa Vera tantas Cruzes
Nosso “Marco não é temporal”
Nosso “Marco é Ancestral”
Nosso “Marco Existencial”
Antes do caraíba aqui desembarca
Se achando descobridor de sua invasão
Era terra de Pindorama
Terra das Palmeiras
Onde não só cantava o sabia
Mas se escutava tantos cantos cheio de vidas na terra-água-ar.
Antes do caraíba sugar vermelho liquido do Ibirapitanga
Que chamava de Pau-Brasil
Que derramou,
Derrubou,
O sangue de anhanguera
Alma antiga de nossos ancestrais.
“Nos chamando de primitivos”,
Mas “somos sempre Contemporâneo”
“De nosso futuro ancestral”
Onde Amazônia Viva
Não nos titulamos dono da Terra
Somos parte dela.
O caraíba se acha dono da terra e de suas riquezas
Por isso se lambuza do amarelo até os dentes.
Para isso contamina Maué ou amianda com a morte
Essa água machada pelo mercúrio da ganância
Esse rio que reverenciamos
Pois saciamos nossa cede e purificamos nosso corpo
Só tiramos da terra-ar-água apenas o que alimenta nossa existência
Onde vive nas aldeia abá-homem, cunhã-mulher
Não são corpos sem alma
Como os conquistadores europeus nos descreve
Quando o povo Tupi-guarani viu na Iguaçu
O branco navegado em grande barco nessa água grande que corre
Recebeu de braços aberto com curiosidade
Ensinamos que comer, pescar e caçar para se alimentar
Na troca de presentes
Com tempo da costura da história
Vendo maquiana ou gwea como coisa velha e acabada
Não como sabedoria dos antepassados
Fomos visto como entrave ao progresso civilizatório
Civilização que extermina um povo ancestral dessa terra.
Um povo que em seu modo de vida faz existir e resistir o espirito da floresta.
Mas o caraíba em seu desejo de impor sua vontade a mãe natureza
A deflorou,
A subjugou,
A terrorizou,
A escravizou,
A deixando como terra arrasada,
Seca,
Abatida,
Sem o pulsar correndo pelas veias da terra o rio cheio de vida.
Quando o povo da floresta e a natureza reagem
O homem-capital só enxerga seu prejuízo,
Que precisa recuperar apenas suas perdas.
Somos humanos
Somos gente
Somos o povo da floresta
Feito de abá ou auá homem,
Cunhã mulher
Kunumim menino
Cunhatã menina,
Anhang ou anã velho
Somos Tupi-guarani, Puri, Yanomani, Ashaninka, Matis, Marubo, Kayapo
E tantos outros.
Que tentam viver ou sobreviver
E nossa pintura
Cheia de símbolos
Mostra nosso jeito de ser e existir
Marcas de ser homem
De ser mulher
Ser criança
Ser velho
Nossa dor
Nossos desejos
Nossas lutas como guerreiro
Como povo da floresta
Quem os fala não nasceu dos povo originário
Mas é feito da mistura euro-indoamérica- afrobrasileiro.
Por isso correr em minhas veias vestígios desse gente originaria
Faz bater tambores do coração por essa luta.
Aílton José _ 19.04.24