12/01/2017
Três lançamentos literários na programação de abertura do ano na Sem Título. Na terça-feira (17 de janeiro), o pesquisador Alexandre Barbalho e o artista visual Vitor Cesar lançam suas obras e na quinta-feira (19 de janeiro), o sociólogo Máximo Canevacci apresenta seu livro sobre arte e cidade.
Alexandre Barbalho é uma das maiores referências em pesquisas sobre as políticas culturais no Brasil. Ele lança no dia 17 de janeiro, na Sem Título, a obra “Política Cultural e Desentendimento”, um ensaio onde se distancia de qualquer noção que entenda as políticas culturais como um problema de gestão, para se interrogar sobre o lugar da cultura na economia e nas estratégias dos poderes contemporâneos, como observa o também pesquisador e professor Cezar Migliorin, na “orelha” do livro.
Barbalho recorre ao pensamento de Jacques Rancière, mais especificamente àquele desenvolvido em sua obra intitulada O desentendimento, para traçar uma possível linha de fuga à crise da cultura e de suas políticas. “Acredito que entender e vivenciar a cultura e suas políticas como desentendimento é voltar a colocar sua perspectiva crítica na centralidade desse processo. É a cultura voltando a causar embaraços, escândalos, problemas. E se referindo às formas de constituição do comum.”
A publicação "Anfibologia, tradução" integra o projeto “Videobrasil em Contexto” e foi concebida durante a residência artística que o artista Vitor Cesar participou no A-I-R Laboratory, em Varsóvia, entre maio e junho de 2015. O livro será lançado na Sem Título, também na terça-feira (17 de janeiro).
O projeto partiu dos discursos e relatos sobre a cidade, das pessoas que moravam em Varsóvia. Vitor procurava lidar com percepções dos outros que viviam na cidade, nas quais, de algum modo, ele se visse implicado. “Dos relatos como matéria de trabalho, passei a desenvolver frases ambíguas. Essas frases são formuladas a partir de um erro sintático que, na gramática, é denominado ‘anfibologia’ — quando a sentença permite mais de um sentido ou interpretação.”
As frases foram desenvolvidas com o tradutor Michał Lipszyc. Os dois tiveram que pensar juntos, modificando algumas sentenças que já tinham sido elaboradas em português, ou construindo novas frases conjuntamente, em português e polonês, simultaneamente.
O antropólogo italiano Massimo Canevacci lança na Sem Título, no dia 19 de janeiro, duas de suas obras: “SINCRÉTIKA (ou Sincretismo) - Constelações etnográficas sobre as ubiquidades culturais” e “Fetichismos Visuais – Corpos Erópticos e Metrópole Comunicacional”.
O primeiro, SINCRÉTIKA, problematiza as relações entre culturas ubíquas e etnografia, explorando uma constelação vagante. O trabalho percorre as diversas dimensões sobre o “vago” - a beleza fugidia – e o vagar: viajar sem uma meta precisa, um deambular incerto, baseado num conceito de desorientação quase clássico para a antropologia.
“Tal combinação entre abandonar-se à beleza e viajar sem meta dialoga com as dimensões oscilantes entre uma constelação de conceitos sincréticos, metodologias em montagens, visões diaspóricas, translocamentos fetichistas através de artistas, filmmakers, escritores, filósofos, políticos, arquitetos, músicos.” O livro se dirige então a alguns panoramas da arte contemporânea atravessados por uma metodologia vagante.
Em Fetichismos Visuais (obra esgotada que ganhou reimpressão), Canevacci rediscute os conceitos de fetichismo cunhados por Marx e Freud para falar de um novo fetichismo: o visual, uma ruptura em relação aos sentidos clássicos ou populares do fetichismo. Ele rediscute o conceito para compreender as contradições da cidade contemporânea. A partir disso, cria a hipótese do metafetichismo.
O livro desenvolve uma genealogia antropológica do fetichismo para verificar se é possível afirmar e praticar a hipótese de um metafetichismo além dos domínios políticos ou dos desvios estigmatizantes incorporados nas estratificações históricas. “O metafetichismo é a metáfora do desejo difundido da metamorfose: de mudar identidades, prazeres, formas, ’corpos’, vidas”.