07/03/2019
A enchente que alagou o Conjunto Palmeiras e outras comunidades próximas do Rio cocó tem outras causas além da grande chuva.
A barragem do Rio Cocó, que teve um investimento total , incluindo valores destinados a desapropriação do entorno da construção, de R$ 105 milhões de reais, possui capacidade máxima de acúmulo de 6,4 milhões de metros cúbicos de água.
Com as obras iniciadas em janeiro de 2015, ela foi inaugurada no dia 7 de junho de 2017, afim de controlar o fluxo da água, para evitar as cheias do Rio Cocó.
A pergunta é: porque o sistema não funcionou?
Desde as 7h do sábado até as 7h do domingo, dia que ocorreu a enchente, Fortaleza registrou uma média de chuva de mais de 120 milímetros, porém não foram somente as chuvas a responsável pelo transbordamento.
Segundo o ambientalista Iderlandio Morais, as comportas da barragem não foram liberadas no período anterior da chuva (período que já tinha iniciado em dezembro de 2018, o que fez com que a água da barragem fosse acumulada).
O procedimento correto seria liberar, aos poucos, a água pelo sistema de comportas, para que pudesse ser escoadas de modo regular, processo que, segundo o ambientalista, a COGERH (Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos) não realizou.
A COGERH e os demais órgãos responsáveis pela regulação da barragem, não podem ser excluídas da responsabilidade pelos danos causados às comunidades que sofreram a enchente.
Com quase quinze dias, desde o ocorrido, muitas famílias atingidas ainda aguardam por respostas e reparações dos responsáveis pelos danos, por enquanto, o que se ver são gestos de solidariedade em forma de doações de alimentos, materiais de higiene, roupas e brinquedos para as crianças, organizados e coletados pela própria comunidade.
"É uma responsabilização que o Governo do Estado e a COGERH não podem sair isentos".