07/08/2026
#18
Homem Ar**ha: Um Novo Dia, 2026
Destin Daniel Cretton
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Tal qual o Batman, que desde a década de 60 ja tem uma dezena de adaptações para o cinema, sem contar as participações especiais e derivados, o Homem Ar**ha acaba de chegar a sua décima primeira adaptação e contando...e apesar das várias leituras, ambos os personagens sempre encontram novos desdobramentos. Homem Ar**ha: Um Novo Dia é mais um desses desdobramentos que parece ainda ter algo a dizer.
Apos os eventos cataclismicos de Sem Volta para Casa, Peter Parker se vê isolado e sozinho em meio a Nova York, todos os seus amigos e todo o mundo que sabia da sua identidade o esqueceu, e com a morte da tia May, nao resta nada além da identidade de Homem Ar**ha para dar algum sentido a vida.
Dirigido por Destin Daniel Cretton, que ja fez um bom trabalho em Shang Chi e tem experiencia com os dilemas da adolescencia atraves de seu trabalho em Temporario 12, o longa assume uma especie de reinício ao tentar lidar com a solidão de Peter em paralelo com sua obsessão em resolver os pequenos problemas da vizinhança. Entre a falta de uma rede emocional e a sua dedicação obsessiva, o longa faz comentários sobre burnout, isolamento social e emocional e as consequências físicas e psicológicos dessas situações. E esse é sem duvida o ponto de apoio mais sólido do filme.
Sedimentando bem o panorama da vida do protagonista, o longa gasta pelo menos todo o primeiro ato para situar o expectador e a partir daí inserir novos elementos que de fato ficaram e darão desenvolvimento a trama. A edição a princípio muito segmentada ao apresentar um rodízio de ameaças na abertura, diminui o ritmo ao adentrar o núcleo da narrativa e dá tempo ao expectador para entender o personagem, e então, seguir com a trama. O ritmo é ótimo e aproveita bem as quase duas horas e meia de duração, acelerando quando necessário mas reduzindo na mesma proporção.
Novos e velhos personagens fazem parte da trama; a sempre otima Zendaya retorna como MJ, o carismático Jacob Batalon retorna como Ned, Jon Bernthral faz uma ótima dupla com o Ar**ha na pele do Justiceiro, alem de Lisa Colón Zayas como a delegada, e Sadie Sink como Jean Grey, esta última, sempre muito boa mas em um papel ambíguo dentro da história de Um Novo Dia. Tom Holland tem sua melhor interpretação do personagem, mais madura e em um momento difícil da trajetória do herói, e se destaca neste novo capítulo.
Homem Ar**ha: Um Novo Dia é o longa mais sério do personagem desde os originais dirigidos por Sam Rami, Homem Ar**ha 1 e 2; e talvez do desfecho de Expetacular Homem Ar**ha 2, ao assumir riscos narrativos e visuais e convidar o expectador à uma historia mais densa, e embora, o terceiro ato nao tenha um antagonista definido e enfraqueça um pouco o desencadeamento dos acontecimentos, é na proposta intimista e na vulnerabilidade que o longa encontra sua maior força.