09/01/2026
Este é o Mestre que só o CTAP- tem
SOCIEDADE:
A sociedade precisa, com urgência, repensar as danças que promove, consome e exibe, sobretudo quando falamos de crianças. A dança é cultura, expressão, identidade e alegria — não precisa, obrigatoriamente, estar associada à exposição excessiva do corpo, à hipersensualização ou a mensagens sexualmente explícitas. Crianças também dançam, imitam, aprendem e constroem referências a partir do que veem na televisão, nas redes sociais, nas festas e na rua. Ignorar isso é, no mínimo, fechar os olhos para uma responsabilidade coletiva.
É fundamental que coreógrafos e criadores de dança sejam desafiados a pensar nas crianças como público real e legítimo. Criar danças adequadas à infância não é censura, é consciência social. Nem tudo precisa começar ou terminar em rebolado; criatividade vai muito além disso. Existem movimentos, ritmos e expressões corporais riquíssimos que valorizam a coordenação, a alegria, o trabalho em grupo e a identidade cultural, sem tornar o corpo um objeto sexual. Dá para inovar, dá para fazer bonito, dá para ser fixe sem ser ofensivo.
As televisões e plataformas de difusão cultural também têm um papel central. Conteúdos para adultos devem existir, sim, mas precisam ser claramente parametrizados em horários próprios. Criança não é “mini-adulto” e não pode ser exposta, a qualquer hora, a danças e imagens que não correspondem à sua fase de desenvolvimento. Respeitar horários e classificar conteúdos é uma forma simples e eficaz de proteger a infância e orientar melhor as famílias.
Precisamos, enquanto sociedade, entender que crianças são também consumidoras de cultura. Se só oferecemos danças promíscuas, sexualizadas e ofensivas, é isso que elas vão absorver como normal. A infância é um marco fundamental na construção do ser humano; é o alicerce de valores, limites, autoestima e visão de mundo. Brincar, dançar e se expressar devem ser experiências seguras, educativas e saudáveis, não um “cada um por si” sem critério...